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Era Natal, era ...


Dizem por aí que o Natal é uma época em que o amor perdura, que devemos ajudar os que mais precisam, que não devemos deixar ninguém passar o Natal sozinho, enfim, montes de teorias.
Então, há aqui uma coisa que não entendo: só damos amor e carinho às pessoas no Natal? Só ajudamos os mais necessitados nessa altura? Então por essa ordem de ideias, durante o resto do ano somos mal-educados e brutos, só ajudamos os mais carenciados no Natal e o resto do ano que se desenrasquem.
Acho tremendamente estúpido as campanhas de Natal, os cabazes, os movimentos solidários… As pessoas mais necessitadas não comem SÓ no Natal, não se vestem SÓ no Natal, as crianças não brincam SÓ no Natal, e não recebem carinho SÒ no Natal. Quando é que metem isso na cabeça de uma vez por todas? E que tal fazer as pessoas, principalmente as crianças, felizes durante o resto do ano? Pois, se calhar era uma boa ideia. E não quero com isto dizer que não há campanhas de recolhas de alimentos ou de vestuário durante os resto do ano, porque há, mas se calhar as pessoas não precisam só disso. Necessitam de amor e de carinho. Isso não se vende, nem se arranja em campanhas nenhumas!
Quando era mais nova, adorava o Natal, a minha família toda sempre reunida, recebia montes de presentes, empanturrava-me em comida, sei lá… Agora já não me fascina assim tanto. As pessoas vêm o Natal como um acto de dar uma prenda a alguém. Então, temos de comprar uma prenda cara e de marca, para mostrar que temos posses, e para não parecer mal.
E veja-se pelos estúpidos anúncios televisivos. Ainda nem em Novembro estávamos, e no Disney Channel já passavam publicidades de brinquedos. A lavagem cerebral que fazem aos miúdos é tanta, que a carta para o Pai Natal em vez de ter 10 linhas, é do tamanho de um rolo de papel higiénico.
Ah! Em falar em anúncios televisivos, o que é que a Popota tem em comum com os Buraka? É uma ligação que ainda ando a tentar perceber. Ora bem: Natal, espírito Natalício… espírito Natalício, amor… amor, felicidade… felicidade, alegria… alegria, música… música, Worten… Worten, Continente… Continente, Modelo… Modelo, Popota… Chiça! E agora como é que encaixo ali os Buraka?
Vá, tenho de deixar de implicar com a pobre coitada da rapariga, que a Leopoldina ainda fica com ciúmes por não se falar dela. E agora com aqueles poderes estranhos e especiais todos, ainda me faz um Kung Fu e estou tramada.

Inocência Russa

Certamente que já ouviram falar do caso Alexandra, A menina Russa.
Então a mãe biológica dela veio dizer que afinal o que os pais afectivos queriam era vende-la para retirar órgãos ou mandá-la para uma casa de prostituição? Sim, totalmente lógico. Ela bate na menina, mas os pais adoptivos é que lhe querem fazer mal.
Acho que devemos todos concordar com o Sr. Juíz, ele é que (se calhar) tem o canudo, então ele é que manda! Obviamente que se me derem a escolher entre entregar uma criança à mãe biológica, que nunca cuidou dela e que até lhe bate, ou entregá-la aos pais afectivos que lhe deram todo o carinho, amor e educação que uma criança precisa, eu escolho entregá-la à mãe biológica.
Será justo enviar uma criana, repito, UMA CRIANÇA, para um país totalmente diferente do nosso, sem que aprenda a sua língua e costumes?
Perguntas que ficam sem respostas, quando até o próprio Juíz que julgou o caso admite que talvez a sua decisão não tenha a sido a mais correcta.
Bem, talvez o melhor seja pesar tudo na mesma balança. Então temos uma criança mal tratada, com um peso muito baixo para a sua idade, e uma mãe alcoolica. Até aqui tudo muito bem, a justiça retirou Alexandra à mãe biológica para a entregar a uma família de acolhimento. Mas atenção, de acolhimento e não de adopção, ou seja, essa família apenas acolhia a criança por um determinado tempo.
Quando esse período acabou, era hora de julgar novamente este caso, então o Sr. Juíz decide que a menina deve ir para a Rússia, para junto da mãe biológica. Isto porque os Nossos Juízes se limitam a seguir a lei à letra e não caso a caso, e como não havia nenhuma lei que lhe fosse "útil", ele decide assim. Não sei o que vai na consciência daquele homem, mas o que é certo é que ele já veio dizer que talvez a sua decisão não tenha sido a mais indicada.
O que é certo, é que a criança, neste momento, vive numa casa com condições um pouco precárias, e tem uma mãe que continua alcoolica. Perante isto, até o Estado Russo admite que a mãe não tem condições para tratar da menina.
Agora digam-me o que é que vai ser desta criança, com uma mãe alcoolica, e com um pai ausente.

O primeiro

Quando perguntei à minha prima qual deveria ser o primeiro post no meu blogue, ela disse-me que deveria mencionar porque é que me juntei à blogoesfera, coisa que ainda estou a tentar descobrir. Quer dizer, parece que é engraçado, que nos faz bem escrever… adiante.
Depois deu-me uma sugestão, mostrar que ponto de vista tinha uma miúda de metro e meio acerca deste complexo e fascinante Mundo. E após ter pensado nesta frase, lembrei-me daquilo que todos os meus colegas que costumam dizer: O meu ponto de vista é diferente de todos os outros porque, segundo eles, o meu campo de visão situa-se num patamar abaixo do normal. As perguntas mais frequentes são do género “Então, como está o tempo aí em baixo?”, ou então “O que vês daí de baixo?”. Sim, é verdade: Tenho um metro e meio. Podia ter mais, mas não me apeteceu. Optei por ficar na versão mais concentrada, que é mais económica e ecológica. E chega bem! Bem, não tenho realmente um metro e meio, tenho um metro e cinquenta e um, mas as pessoas gostam de arredondar os valores, e eu acabo por me habituar à ideia. O facto de não ter crescido mais por vontade própria, é bem verdade. Aliás, a minha mãe passava a vida a dizer-me que eu era uma bebé bastante preguiçosa. E sim, sou uma versão mais concentrada e económica do Ser Humano: ainda calço sapato de tamanho de criança, como menos e a minha roupa dura bastante tempo porque não cresço.
E aqui ficarão pensamentos vastos em palavras concentradas.